segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Arte Barroca

Embora tenha o Barroco assumido diversas características ao longo da história, o surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cénico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.
O Barroco é o estilo da Reforma católica também denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.
O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os "autos sacramentais", peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.
Contrariamente à arte do Renascimento, que pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos, no Barroco há uma exaltação dos sentimentos, a religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.
Além da temática religiosa, os temas mitológicos e a pintura que exaltava o direito divino dos reis (teoria defendida pela Igreja e pelo Estado Nacional Absolutista que se consolidava) também eram freqüentes.
De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da Idade Média, num ressurgimento da visão teocentrismo do mundo. E não é por acaso que a arte barroca nasce em Roma, a capital do catolicismo.
A escola literária barroca é marcada pela presença constante da dualidade. Antropocentrismo versus teocentrismo, céu versus inferno, religião versus ciência, entre outras constantes.
Contudo, não há como colocar o Barroco simplesmente como uma retomada do fervor cristão. A grande diferença do período medieval é que agora o ser humano, depois do Renascimento, tem consciência de si e vê que também tem valor - com exemplos em estudos de anatomia e avanços científicos o ser humano deixa de colocar tudo nas mãos de Deus.
O Barroco caracteriza-se, portanto, num período de dualidades; num eterno jogo de poderes entre divino e humano, no qual não há mais certezas. A dúvida é que rege a arte deste período. E nas emoções o artista vê uma ponte entre os dois mundos, assim, tenta desvendá-las nas representações.

O estilo Barroco foi introduzido em Portugal através de mestres italianos como Filippo Terzi em meados do século XVI. O Estilo não chegou ao Brasil de imediato – todo o século XVI foi marcado por obras que ainda guardavam um ranço românico-renascentista, erroneamente chamado de maneirismo. As primeiras manifestações que permitem um vislumbre do Barroco no Brasil se dão a partir do início do século XVII, segundo Germain Bazin e Percival Tirapeli, na Bahia e em São Paulo. O estilo vai aos poucos se afirmando nos centros principais (Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, São Vicente, etc.) e atingindo grande desenvolvimento, do Pará até o sul do Brasil, e chegando também Goiás e Mato Grosso. Circunstâncias subjetivas levaram à exacerbação do Barroco produzido em Minas Gerais, em detrimento do resto da produção nacional, o que muito tem prejudicado a análise do estilo no Brasil como um todo.
A arquitetura religiosa em Pernambuco inicia-se em 1535 com a construção da ermida, depois matriz, dos Santos Cosme e Damião em Igarassu. Ao longo do século XVI, são construídos, como ainda pode ser constatado em igrejas como a já citada dos Santos Cosme e Damião (1535), Nossa Senhora da Graça (Olinda, 1540), São Lourenço de Tejucupapo (1555), Nossa Senhora de Nazaré (Cabo de Santo Agostinho, 1580), etc.. A pesquisa levada a efeito até o momento pôde fazer uma interessante constatação: analisando as pinturas de Frans Post foi possível observar que, até a chegada dos holandeses a Pernambuco (1630), as igrejas permaneciam, pelo menos em seu aspecto exterior, com as mesmas características do século XVI – frontão triangular suportado por um entablamento clássico, este, por sua vez suportado por cunhais de pedra à guisa de colunas dóricas, com uma composição formada por óculo, duas janelas e uma porta, o que leva a crer, a princípio, que o Barroco não foi utilizado em Pernambuco até a época posterior à saída dos holandeses do nosso território (1654). A partir de 1654, com a retomada de Pernambuco pelos luso-brasileiros, iniciam-se as reconstruções e reformas das igrejas destruídas e saqueadas pelos holandeses e a construção de novos templos. Praticamente todas as igrejas construídas antes do período holandês foram remodeladas ao final do século XVII e ao longo do século XVIII, passando a ter uma aparência barroca. A maioria das igrejas construídas ex novo já foram construídas dentro da nova estética, mas há casos como os de Nossa Senhora do Desterro (Convento de Santa Teresa, Olinda), Nossa Senhora do Pilar (Recife) que, mesmo construídas no final do século XVII vão manter a feição quinhentista. É importante salientar que as igrejas levavam décadas para serem construídas, como foram os casos da Basílica de Nossa Senhora do Carmo (1687-1767) e da Concatedral de São Pedro dos Clérigos (1728-1782), incorporando modificações sucessivas de estilo, partindo de um Barroco mais “primitivo” e alcançando resultados mais rebuscados dentro do Barroco-Rococó. O Estilo, introduzido inicialmente em Olinda e no Recife, vai sendo, aos poucos levado para povoações e engenhos da Zona da Mata, não ultrapassando, porém os limites dessa região. Sua limitação temporal pode ser estabelecida como sendo a partir da década de 1680, início das reformas das igrejas olindenses motivadas, principalmente pela elevação da vila à cidade (1676) e terminando em meados da década de 1840 com o término de igrejas como Rosário dos Pretos de Goiana (data do frontispício: 1836) e de outras em engenhos e povoados, que não seguiam o “estilo oficial” – o Neoclassicismo.

Literatura Barroca

A literatura Barroca possui como marcos estilísticos o Exagero, a Dualidade e a Religiosidade. O Movimento Barroco se deu em meio a diversos acontecimentos históricos importantes tais como: achamento das terras americanas, mudança do comércio mundial, solidificação da Inquisição e do poder do Clero e o Absolutismo Político.
No estilo encontramos o pessimismo, exagero emocional, as contradições imperam(uso de antíteses, paradoxos e oxímoros). Já o dualismo estilístico é caracterizado pelos estilos cultista e conceptista.
Cultismo: jogo de palavras.
Conceptismo: jogo de idéias.
Os autores brasileiros mais importantes do período foram Gregório de Matos Guerra e Padre António Vieira.

Um comentário:

Elleona disse...

Dommage que les photos soient petites !
le baroque n'est-il pas de l'art manuelien ?
Bonjour de France.